Em 1922, a Semana de Arte Moderna revolucionou os alicerces da cultura brasileira. Ao romper com os padrões até então vigentes, os artistas trouxeram à tona novas manifestações. Quase cem anos depois, a sociedade brasileira assiste ao espetáculo das mulheres pós-modernas. Aquelas, que aos 35 anos, não casaram nem tiveram filhos. Ainda. Mas há muito tempo já procriaram em seus habitats profissionais com muito sucesso. Já construíram uma carreira sustentável, já colecionaram flores de amores passados, já escreveram um roteiro particular.
Não interessa a ninguém se você não conseguiu casar com Fábio, Bruno, com o francês ou com Francisco. Secretamente, essa minoria de mulheres vai sendo alvo de comentários velados nos ambientes de trabalho ou na família. Garanto que qualquer uma delas não tem a menor vontade de fazer apologia à vitimização, como fazem as outras minorias com suas bandeiras alheias. Elas não querem lutar por igualdade com as mulheres casadas; querem apenas ser respeitadas em suas escolhas. Muitas querem subir ao altar com um marido interessante e protagonizar comercial de margarina. Esse é o script que escrevi para mim, mas ainda não consegui realizar. Outras preferem sorver toda a sua independência em viagens pelo mundo, em festas incríveis, com parceiros de uma noite. E daí?
Em tempos de direitos humanos, qualquer mulher merece ser tratada da mesma forma. Fala-se muito em homem machista, mas muitas mulheres mantêm discursos com doses de machismo. São aquelas que condenam as semelhantes solteiras, classificando-as com alguns rótulos: deve ser bipolar, deve ser mal amada, deve ser santinha, deve ser puta... Pode ser simplesmente uma mulher com todas as suas idiossincrasias, que apenas não encontrou o seu homem prêt-à-porter. Por enquanto, caminha sozinha. Em breve, um par pode ser o seu lar.
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