quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Corte

Corte o que te aprisiona, limita ou apaixona cegamente. Mesmo não sendo um vício, o exagero acaba sempre extrapolando. Por outro lado, o desapego sobressai como uma boa saída para qualquer mudança. Quando a vida passa a ser vista pela lente da autoconfiança, ninguém consegue podar o crescimento de sonhos, projetos ou amores. O medo já não condiciona nem define. Partir pode ser tão bom quanto experimentar tudo de novo. É a lei do recomeço.

sábado, 22 de outubro de 2016

Zero a zero

É um daqueles dias, em que você acorda com o pé esquerdo e tudo acontece desordenadamente. É o sinal que fecha. O copo d'água que entorna. O cineminha com a sessão esgotada. Aí, dá aquela vontade de xingar, mandar tudo para a puta que pariu... Dizem que nessa hora, a gente precisa contar até dez ou meditar... Mas quem lembra disso quando está a flor da pele... Eu mesma não lembro. Só penso em sair desse zero a zero. Aí, vai ter solenidade, banda de pífanos, pirotecnia e muita profundidade. Nesse dia sagrado, tudo que era profano vai virar passado. Continuo acreditando. Até quando... Mais cedo do que de costume, quero ouvir esse sino tocar. Vou tirar o véu para a mudança de hábito. Corte.

domingo, 16 de outubro de 2016

Cardápio do dia: amor

Eu torço por Alice e Mário, por Pedro e Helô... Eu torço por qualquer amor de verdade. Acho lindo! Já vivi histórias de amor que dariam um enredo de cinema. Houve muito romance, um tanto de drama, algumas comédias e outros suspenses. O melhor de tudo: sobrevivi ao furacão da paixão, ao tsunami da traição, mas nada é melhor do que a leve brisa do amor. Daquele que assopra nos olhos, faz redemoinho nos cabelos e acaricia a alma e a pele.

O vento que chega de mansinho e vai decorando a casa, o quarto e a sala com sabedoria. Aquele sentimento que se espalha pela cozinha e dá água na boca. Com gosto de quero mais, a vida fica sempre mais temperada. E não há receita melhor do que o prato do dia. Aquele feito sob medida para a fome de viver.

Aí, o dia vira noite e a inversão é poesia. Aí, você conecta com os olhos e esquece que qualquer outra ligação ficou no passado. O amor invade todos os poros e nenhuma mensagem é tão sonora quanto o toque silencioso do arrepio. Se o relógio incomodar, vire a página e olhe para quem está ao seu lado. Apenas um dia. Apenas uma noite. Pela vida inteira.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Alma nua

No dia em que a faísca disparou, algo ficou diferente. Não era a panela que transbordava, nem a água que borbulhava. Era algo tão imperceptível, que o olhar se transformou em frações de segundos. Diante de um cenário tão impensado, qualquer movimento despertava atenção. Fora do convencional, o silêncio cedia espaço para uma nova alquimia. Com a matemática, aprendeu que dois e dois são quatro. Da comunicação, levou a certeza de que podia sempre escrever um novo roteiro. Nas aulas de idioma, rendeu-se ao frescor de uma nova aventura. Vivia sem celular, mas conectava-se com os olhos. Valia a exata medida do amor. Sem o véu da timidez, minh'alma ficou nua diante de você. Incêndio. Nessa peça da vida real, a combustão é um resultado altamente desejável.

sábado, 8 de outubro de 2016

Corda bamba

Eu não sei você, mas eu já perdi a linha algumas vezes. Não por falta de educação, mas por absoluta falta de vontade. Nem com vodka ou tequila, eu tenho paciência para ouvir gente chata, conversar com babaca ou assistir injustiça. Por isso, não bebo. Não quero anestesiar nem fingir o que está acontecendo. Quero ver a sentença estampada na frente, sem recorrer a nenhum paliativo. Nem álcool, nem droga, nem vício nenhum. Nem chocolate, que adoro, me faz perder a sanidade. Até nas horas em que tenho vontade de dar na cara de alguém, xingo mentalmente para não chegar às vias de fato. É uma puta hipocrisia esse simulacro, que criamos todos os dias.

Cada um de nós vai abandonando a capacidade de ser simplesmente humano. Aí, vem a maquiagem para afugentar os dias ruins. Com camadas de pó, muitos tentam esconder as imperfeições que circulam aqui e lá. Uma hora, a máscara cai e a cicatriz aparece. Nessa  tatuagem gravada no corpo, há muito mais do que um símbolo. Há uma lembrança cravada na memória. Pode ser uma história boa ou ruim. Pode ser tudo até o fim. Um grito silencioso invade a noite alta, mas ninguém escuta. Enquanto a vida se ajeita, durmo a cada dia com um sonho diferente. É mais real do que o desejo e me ajuda a continuar de pé. Permaneço parada em frente do sim. É mais um que vira a esquina. Daqui a 15 dias, um eleito vem morar em mim. Durmo pensando no fio do amanhã. Foi-se o tempo da corda bamba. Aqui reside o presente.

domingo, 2 de outubro de 2016

Coleta seletiva de emoções

Vínculo é um vinco muito forte. É uma sucessão de associações, que vamos fazendo ao longo da vida com pais, irmãos, amigos, familiares e ex-namorados. É algo feito para durar, mas nem sempre é possível manter inquebrantável. É um elo que te conecta a alguém ou alguma situação boa ou ruim.

A gente aceita relacionamentos desgastados, alguns colegas equivocados, parentes diferentes, por uma questão de conveniência. Por si só, a convivência já tem potencial suficiente para fortalecer alguns vínculos ou para nem permitir a existência de outros.

Propositalmente, tentei "cortar" meu vínculo com o Facebook. Passei dez dias sem qualquer contato. Sabe o que aconteceu? Diariamente, o Face me mandava um e-mail para lembrar que eu estava a X dias sem acessar... Dizia que eu tinha 50 mensagens, 05 cutucadas, 10 convites de eventos e por aí vai... Sabe o que eu fiz? Resisti bravamente a dar uma espiadinha... Se até no mundo virtual, o vínculo é difícil de ser rompido, imagine na vida real. De forma unilateral, nem a rede social aguenta.

Recentemente, completei 15 anos na empresa. Passou um filme na minha cabeça. Nesse "casamento", vivi de tudo um pouco. Com muita intensidade: aprendi, sorri, sofri, reinventei e segui em frente. Cheguei à conclusão de que a lealdade é o sentimento principal, que deve permear ou unir qualquer vínculo. Qualquer coisa, pessoa ou situação que fuja desse padrão, pode ser descartado. A coleta seletiva de emoções ajuda a filtrar o que e quem realmente importa.

Por uma generosidade recíproca, a gente constrói amizades e relacionamentos que duram por dias, meses, anos ou décadas. Independente da duração, o tempo que conta é aquele compartilhado. Nos momentos de alegria ou de tristeza, nos sucessos ou fracassos, no bem querer guardado no coração.Se nos cabe apenas essa vida, vamos todos caminhar rumo à felicidade.