quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A dura vida dos solteiros: a ditadura dos relacionamentos

Talvez você não saiba, nem imagine, mas é difícil ser solteira nesse país. Se você não teve sorte em se casar, você vira um alvo certeiro da sociedade. Além de invisível, as pessoas te olham com menos respeito. É como se ser sozinho fosse algo menor. Então, na prateleira dos relacionamentos, você é o ultimo produto a ser escolhido. É aquele que fica de canto, escondido, esperando para ser "pego" por alguém.

Se for solteira e bem sucedida, sinto-lhe informar: volte duas casas. Sua situação fica ainda mais vulnerável. Além de invisível e indigna de respeito, todo mundo vai querer uma fatia do seu dinheiro. Afinal, você não tem filhos para sustentar. Não tem marido para gastar. É só você e a sua conta bancária. Prepare-se para o assédio para emprestar, pagar contas vencidas ou simplesmente doar. Nesse momento, não tem mais jeito. Você passou a ser vista como um "banco imobiliário".

Agora, se for solteira, bem sucedida e "direita", danou-se. Você está perdida. Virou uma ameaça para os homens. Ninguém vai chegar até você. Nesse estágio, a saída é aceitar. Quem sabe um cavalheiro adormecido possa te resgatar. Quem dera a realidade fosse um quadro romântico. Não é. Então, minha cara amiga, só resta a resiliência. Vai sofrer, vai doer, vai chorar, vai cansar. Bem aqui, no fundo do poço, peça a Deus apenas uma mola. Ou vira a titia solteirona ou ressurge como uma musa do cinema mudo. Com um quê de Monalisa, o mistério pode ser sedutor para o sexo oposto. Avance cinco casas ou permaneça no jogo da vida.

domingo, 4 de dezembro de 2016

(In)tensa

Não é à toa que a intensidade carrega consigo uma tensão. Quem vive ou sente intensamente, tem necessidade de experimentar e expressar ao máximo, mesmo que silenciosamente. Pensamentos, sentimentos, sabores e sensações que transcendem a previsibilidade do cotidiano. São pessoas com alma forte e opiniões firmes.

É Elis, é Clarice (Lispector), é Tim, é Cazuza, é Ivete. Sou eu, é você ou qualquer um que precise de ar para respirar. Sinto exatamente assim, em alta voltagem. Preciso dar voz às ideias, que povoam o meu universo infinito. Preciso escrever no papel as palavras que falam com o meu coração. Por isso, escrevo, pinto e bordo com a gramática. Mergulho de cabeça nos relacionamentos. Experimento emoções, que nem sempre estão ao alcance. Caio em alguns momentos, mas o movimento não me deixa parar. Sigo em frente, meu destino é caminhar. Passo a passo, posso aportar em qualquer lugar. Onde eu possa me encantar ou apenas ver um novo sol raiar.