O tempo abriu, quando a lua ficou cheia. Para trás, deixou dias nublados e sentimentos embaçados. Por dentro, buscou a força para acreditar nos sonhos e seguir em frente. Para cima, olhou para o céu e pediu a Deus que abençoasse o caminho, a estrada e a paisagem. Para fora, descobriu a certeza de que ávida estava no trabalho lho certo.
Oito dias se passaram até soar a campainha. Era o motivo da espera. Um homem perfumado com sotaque estrangeiro. Enquanto escrevia seus pensamentos na pureza do papel, deixava sua marca no destino. As palavras iam ganhando espaço e aumentavam a intensidade da sua descoberta.
Aos 39, começou a ver a luz no fim do túnel. Esse era o combustível para mover toda a engrenagem, até então parada. A cada pequeno passo alcançado, comemorava com suspiros de felicidade. Parecia que os querubins, finalmente, abriram as portas.
Então, o passado foi limpo. Não havia mais medo; estava pronta para a entrega. Um sofá cor de pêssego era o seu companheiro nas noites solitárias. Aliás, já estava tão acostumada com a solitude, com o jeito arredio dos recomeços. Voava longe mesmo quando estava apenas lendo.
O ciclo fechou, levando embora a angústia e a incerteza. Foram tantas voltas, idas e vindas, até o calendário marcar a virada. Uma noite 27, num mês que não era dezembro, esse foi o início do seu novo ano. Podia ler o tarô, buscar o conforto no horóscopo ou somente sentir o pulsar da intuição. Estava escrito com letras bordadas. O caderno era testemunha do amor que acontecia entre quatro paredes. Maktub! Amém! Om Shanti!
quinta-feira, 31 de maio de 2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Por onde andas?
Eu já fiz de tudo. Tentei muita coisa e pouco deu certo. Toda vez, acho que estou acertando a direção, mas o sinal fecha. Espero o tempo abrir, ainda assim nada é tão simples ou fácil. Vou driblando as barreiras, contornando as vias de mão dupla, procurando o melhor caminho. Às vezes, saio da pista para não perder a direção. Talvez a carteira seja apenas uma permissão temporária. Conviver com essa situação tão provisória vai cansando até os motoristas experientes. Sinto incômodo por não conseguir ir adiante nessa estrada.
domingo, 22 de abril de 2018
Eu não sei quem é você
Por onde você anda, o caminho não cruza com o meu. Quando você sai pra jantar, nossas escolhas nem sempre coincidem. Quando eu nasci, não sei se o meu destino foi traçado para encontrar o seu. Essa rebeldia que carrego na alma reflete nos meus olhos. Olhe acima do hemisfério, que me separa de você. Eu não sei qual é o seu nome. Eu continuo navegando no mar revolto pra te ver. Depois dessa tempestade, sigo com a cara lavada. Levada pela coragem, acredito que o sol vai brilhar. Quanto tempo alcança essa espera? Eu não sei quem é você.
domingo, 8 de outubro de 2017
O que me move?
Sou movida por sonhos, conhecimento e descobertas. Desde sempre, gosto de mergulhar no universo para compreender melhor as culturas, as raízes, as limitações e os medos. O mapa-múndi é o meu destino predileto. Cada viagem me move e motiva a crescer e descobrir novos territórios, outras possibilidades e acumular experiências. Gosto muito de aprender com gente que carrega um DNA genuíno na alma e no coração. Convivo com as diferenças de modo particular e sigo sendo aprendiz. Sou movida por conhecimento, gosto de aprender e ensinar. A Língua Portuguesa é o meu instrumento de estudo, trabalho e, sobretudo, prazer. Sinto uma motivação sem fim, quando percebo que posso influenciar positivamente muitas pessoas a escreverem corretamente. Posso ensiná-las a ter orgulho desse vasto é rico idioma. Num País, onde abunda a ignorância e a intolerância, escolho a educação como alavanca da libertação. Quem domina as próprias imperfeições, transforma o grau de frustração. O que me motiva é saber que a vida é um cardápio plural de possibilidades. Sou movida pela fé incondicional e inabalável em Deus. Graças a essa certeza, já superei dias exponencialmente difíceis, dores avassaladoras no coração e na alma, a partida do meu grande herói e de outras pessoas queridas. Sou movida pela esperança. Acredito que além do horizonte, o melhor está por vir. Sou movida por um coração remendado com retalhos de cetim. Sou movida por uma alma, que coleciona nobres sentimentos. Sou movida por um corpo, que carrega o peso de escolhas e renúncias. O que me move é o amor.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
A dura vida dos solteiros: a ditadura dos relacionamentos
Talvez você não saiba, nem imagine, mas é difícil ser solteira nesse país. Se você não teve sorte em se casar, você vira um alvo certeiro da sociedade. Além de invisível, as pessoas te olham com menos respeito. É como se ser sozinho fosse algo menor. Então, na prateleira dos relacionamentos, você é o ultimo produto a ser escolhido. É aquele que fica de canto, escondido, esperando para ser "pego" por alguém.
Se for solteira e bem sucedida, sinto-lhe informar: volte duas casas. Sua situação fica ainda mais vulnerável. Além de invisível e indigna de respeito, todo mundo vai querer uma fatia do seu dinheiro. Afinal, você não tem filhos para sustentar. Não tem marido para gastar. É só você e a sua conta bancária. Prepare-se para o assédio para emprestar, pagar contas vencidas ou simplesmente doar. Nesse momento, não tem mais jeito. Você passou a ser vista como um "banco imobiliário".
Agora, se for solteira, bem sucedida e "direita", danou-se. Você está perdida. Virou uma ameaça para os homens. Ninguém vai chegar até você. Nesse estágio, a saída é aceitar. Quem sabe um cavalheiro adormecido possa te resgatar. Quem dera a realidade fosse um quadro romântico. Não é. Então, minha cara amiga, só resta a resiliência. Vai sofrer, vai doer, vai chorar, vai cansar. Bem aqui, no fundo do poço, peça a Deus apenas uma mola. Ou vira a titia solteirona ou ressurge como uma musa do cinema mudo. Com um quê de Monalisa, o mistério pode ser sedutor para o sexo oposto. Avance cinco casas ou permaneça no jogo da vida.
Se for solteira e bem sucedida, sinto-lhe informar: volte duas casas. Sua situação fica ainda mais vulnerável. Além de invisível e indigna de respeito, todo mundo vai querer uma fatia do seu dinheiro. Afinal, você não tem filhos para sustentar. Não tem marido para gastar. É só você e a sua conta bancária. Prepare-se para o assédio para emprestar, pagar contas vencidas ou simplesmente doar. Nesse momento, não tem mais jeito. Você passou a ser vista como um "banco imobiliário".
Agora, se for solteira, bem sucedida e "direita", danou-se. Você está perdida. Virou uma ameaça para os homens. Ninguém vai chegar até você. Nesse estágio, a saída é aceitar. Quem sabe um cavalheiro adormecido possa te resgatar. Quem dera a realidade fosse um quadro romântico. Não é. Então, minha cara amiga, só resta a resiliência. Vai sofrer, vai doer, vai chorar, vai cansar. Bem aqui, no fundo do poço, peça a Deus apenas uma mola. Ou vira a titia solteirona ou ressurge como uma musa do cinema mudo. Com um quê de Monalisa, o mistério pode ser sedutor para o sexo oposto. Avance cinco casas ou permaneça no jogo da vida.
domingo, 4 de dezembro de 2016
(In)tensa
Não é à toa que a intensidade carrega consigo uma tensão. Quem vive ou sente intensamente, tem necessidade de experimentar e expressar ao máximo, mesmo que silenciosamente. Pensamentos, sentimentos, sabores e sensações que transcendem a previsibilidade do cotidiano. São pessoas com alma forte e opiniões firmes.
É Elis, é Clarice (Lispector), é Tim, é Cazuza, é Ivete. Sou eu, é você ou qualquer um que precise de ar para respirar. Sinto exatamente assim, em alta voltagem. Preciso dar voz às ideias, que povoam o meu universo infinito. Preciso escrever no papel as palavras que falam com o meu coração. Por isso, escrevo, pinto e bordo com a gramática. Mergulho de cabeça nos relacionamentos. Experimento emoções, que nem sempre estão ao alcance. Caio em alguns momentos, mas o movimento não me deixa parar. Sigo em frente, meu destino é caminhar. Passo a passo, posso aportar em qualquer lugar. Onde eu possa me encantar ou apenas ver um novo sol raiar.
É Elis, é Clarice (Lispector), é Tim, é Cazuza, é Ivete. Sou eu, é você ou qualquer um que precise de ar para respirar. Sinto exatamente assim, em alta voltagem. Preciso dar voz às ideias, que povoam o meu universo infinito. Preciso escrever no papel as palavras que falam com o meu coração. Por isso, escrevo, pinto e bordo com a gramática. Mergulho de cabeça nos relacionamentos. Experimento emoções, que nem sempre estão ao alcance. Caio em alguns momentos, mas o movimento não me deixa parar. Sigo em frente, meu destino é caminhar. Passo a passo, posso aportar em qualquer lugar. Onde eu possa me encantar ou apenas ver um novo sol raiar.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Dieta do Ano Novo
Resolvi fazer um detox completo da vida. Por dez dias, larguei o chocolate, o chuveiro quente e a carne. Até o carnaval, que era sagrado há 23 anos, eu deixei de lado. Estou me permitindo ficar longe desses habituais prazeres. Alguns deles, ficaram guardados apenas na memória. Descobri que passo bem, mesmo sem.
Há onze meses, estou reinventando a rotina e desapegando de alguns costumes amistosos. Há treze anos, tiro férias e sempre viajo. Na maior parte das vezes, passo os dias de descanso fora do País. Esse ano, não. Durante vinte dias, vivi em função de outro destino particular.
Para ser coerente com minhas escolhas, suspendi até a agenda. E agora? O que será de mim? Por incrível que pareça, essa resposta eu ainda não encontrei. Então, peço-lhe desculpa pelo transtorno. Estou em reforma.
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