Talvez você não saiba, nem imagine, mas é difícil ser solteira nesse país. Se você não teve sorte em se casar, você vira um alvo certeiro da sociedade. Além de invisível, as pessoas te olham com menos respeito. É como se ser sozinho fosse algo menor. Então, na prateleira dos relacionamentos, você é o ultimo produto a ser escolhido. É aquele que fica de canto, escondido, esperando para ser "pego" por alguém.
Se for solteira e bem sucedida, sinto-lhe informar: volte duas casas. Sua situação fica ainda mais vulnerável. Além de invisível e indigna de respeito, todo mundo vai querer uma fatia do seu dinheiro. Afinal, você não tem filhos para sustentar. Não tem marido para gastar. É só você e a sua conta bancária. Prepare-se para o assédio para emprestar, pagar contas vencidas ou simplesmente doar. Nesse momento, não tem mais jeito. Você passou a ser vista como um "banco imobiliário".
Agora, se for solteira, bem sucedida e "direita", danou-se. Você está perdida. Virou uma ameaça para os homens. Ninguém vai chegar até você. Nesse estágio, a saída é aceitar. Quem sabe um cavalheiro adormecido possa te resgatar. Quem dera a realidade fosse um quadro romântico. Não é. Então, minha cara amiga, só resta a resiliência. Vai sofrer, vai doer, vai chorar, vai cansar. Bem aqui, no fundo do poço, peça a Deus apenas uma mola. Ou vira a titia solteirona ou ressurge como uma musa do cinema mudo. Com um quê de Monalisa, o mistério pode ser sedutor para o sexo oposto. Avance cinco casas ou permaneça no jogo da vida.
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