Eu não sei você, mas eu já perdi a linha algumas vezes. Não por falta de educação, mas por absoluta falta de vontade. Nem com vodka ou tequila, eu tenho paciência para ouvir gente chata, conversar com babaca ou assistir injustiça. Por isso, não bebo. Não quero anestesiar nem fingir o que está acontecendo. Quero ver a sentença estampada na frente, sem recorrer a nenhum paliativo. Nem álcool, nem droga, nem vício nenhum. Nem chocolate, que adoro, me faz perder a sanidade. Até nas horas em que tenho vontade de dar na cara de alguém, xingo mentalmente para não chegar às vias de fato. É uma puta hipocrisia esse simulacro, que criamos todos os dias.
Cada um de nós vai abandonando a capacidade de ser simplesmente humano. Aí, vem a maquiagem para afugentar os dias ruins. Com camadas de pó, muitos tentam esconder as imperfeições que circulam aqui e lá. Uma hora, a máscara cai e a cicatriz aparece. Nessa tatuagem gravada no corpo, há muito mais do que um símbolo. Há uma lembrança cravada na memória. Pode ser uma história boa ou ruim. Pode ser tudo até o fim. Um grito silencioso invade a noite alta, mas ninguém escuta. Enquanto a vida se ajeita, durmo a cada dia com um sonho diferente. É mais real do que o desejo e me ajuda a continuar de pé. Permaneço parada em frente do sim. É mais um que vira a esquina. Daqui a 15 dias, um eleito vem morar em mim. Durmo pensando no fio do amanhã. Foi-se o tempo da corda bamba. Aqui reside o presente.
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